Cláudio Souza
Secretaria de Apoio Social ao Cidadão
Qual a importância de um abraço? Quanto vale um gesto de carinho que quebra barreiras?
Abraços encurtam distâncias, aproximam corações, tocam almas. Abraços transformam vidas e realidades.
É o que aconteceu com o casal Daniel Guilherme dos Santos e Vanessa Rodrigues Pereira, ambos com 31 anos.
Em 2019, ingressaram no programa apadrinhamento afetivo, promovido pela Vara da Infância e Juventude de São José dos Campos em parceria com a Prefeitura e com a Univap (Universidade do Vale do Paraíba).
Com a pandemia da covid-19, os encontros passaram a ser online e só se concretizou o apadrinhamento em fevereiro de 2022.
Desde então, a vida do casal, juntos há três anos, ganhou novas cores com a presença de dois irmãos adolescentes, hoje com 13 e 14 anos e que moram em abrigo institucional mantido pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Apoio Social ao Cidadão.
O que já era bom melhorou ainda mais em abril deste ano. Quem conta é Vanessa.
"Já tínhamos encontros com eles pelo menos uma vez por semana há dois meses. Na hora da despedida, era tchau, até logo e aperto de mão. Mas neste dia de abril, na hora de irmos embora do abrigo eles nos abraçaram", disse a assistente de suporte acadêmico.
"Foi uma atitude espontânea que encheu nossos olhos de lágrimas e queimou nossos corações. Não sei expressar em palavras o que sentimos naquele momento. A ficha caiu. Ali vimos que valeu a pena participar do programa de apadrinhamento", completou.
As equipes do programa: amor, afeto e dedicação. Foto: PMSJC
União de almas
O depoimento de Vanessa arrancou lágrimas dos candidatos a padrinho e madrinha que compareceram ao primeiro encontro presencial da nova fase do programa, realizado na última segunda-feira (17).
Eles irão apadrinhar crianças e adolescentes de 0 a 17 anos e 11 meses que vivem nos abrigos municipais da Prefeitura administrados por OSCs (Organizações da Sociedade Civil).
Durante 10 minutos, ela e o marido contaram as ricas experiências vividas nestes nove meses de apadrinhamento afetivo.
E não foram poucas as alegrias proporcionadas pela convivência com os afilhados. Já foram ao cinema e ao Parque da Cidade, comemoraram juntos os aniversários dos irmãos adolescentes no abrigo e fizeram curso de autômatos (robôs), uma das paixões em comum. As outras são origami e jogos de tabuleiro.
"Na primeira conversa, ainda antes do apadrinhamento ser efetivado, já percebemos que gostamos das mesmas coisas. Hoje, tudo que fazemos incluímos os dois e é pensando neles. Já fazem parte da nossa rotina", afirmou Santos, que é fisioterapeuta.
Os pais do casal já são chamados de avós, enquanto os amigos viraram 'tios', tão grande é o vínculo afetivo criado, apesar do pouco tempo de convivência.
O próximo passo? Agora, é a vez de Santos contar.
"Nosso sonho é que nas próximas férias escolares, agora no final do ano, eles possam dormir pelo menos um dia na nossa casa. Estamos muito confiantes e esperançosos de que teremos esta autorização".
Pereira, a mulher e os filhos: prontos para a nova etapa. Foto: Adenir Britto/PMSJC
Afeto e dedicação
O depoimento de Santos e Vanessa e a palestra realizada na última segunda-feira por técnicos da Vara da Infância e da Juventude de São José motivaram os candidatos a padrinho e madrinha.
Eles querem traçar o mesmo caminho de amor, carinho e dedicação já percorrido com sucesso pelo casal e por outros integrantes do programa.
É o caso do azulejista Carlos Henrique Pereira, que tem 42 anos, mora no Jardim Oriente, na região sul, e compareceu ao evento acompanhado pela mulher e por dois dos cinco filhos do casal.
"Nossos filhos são uma bênção em nossas vidas, mas agora queremos viver a experiência do apadrinhamento afetivo", disse Pereira.
"Se nós precisamos de afeto, imagina quem mora nos abrigos? Se temos tempo e amor para doar, por que não fazer isto, ainda mais em um mundo tão difícil e carente de carinho como o atual? Estamos muito motivados", completou.
Pereira considera que a nova experiência ajudará muito seus filhos, que hoje têm 3, 7, 8, 13 e 19 anos.
"Vai ser muito bom para eles a convivência com outras crianças e adolescentes, principalmente para aprender a ouvir e entender realidades diferentes. Nós e os apadrinhados vamos ganhar muito com esta troca de carinho, amor e afeto".
A psicóloga jurídica Paula Beltrame: muitos ganhos. Foto: PMSJC
Vínculos estreitados
Psicóloga da Vara da Infância e Juventude de São José, Paula Puertas Beltrame não tem dúvidas de que os 55 candidatos a padrinho e madrinha terão suas vidas transformadas pelo programa.
"O apadrinhamento estabelece novos vínculos afetivos, que trazem muitos ganhos. É fundamental para o desenvolvimento destas crianças e adolescentes e para os adultos que os apadrinham", afirmou Paula.
"As experiências que temos acompanhado mostram que é um programa muito transformador para as vidas e para as realidades", completou.
Qualificação
Professora de Psicologia Jurídica, Sílvia Ignez Ramos irá atuar com professores da Univap na preparação dos padrinhos e madrinhas. Desde 2019, ela auxilia a Vara da Infância e Juventude nos grupos de reflexão de adoção.
Agora, será uma das comandantes dos grupos de reflexão do apadrinhamento afetivo para qualificação dos candidatos.
Serão seis encontros presenciais no campus Urbanova da Univap, com entrevistas e dinâmicas de grupo.
"Será uma etapa importante, em que conheceremos os candidatos a padrinho e madrinha e eles saberão mais sobre o programa. Estamos muito animados", disse Sílvia.
"O apadrinhamento afetivo é muito importante, já que cria referências para quem está nos abrigos, mudando a realidade social e psicológica destas crianças e adolescentes".
Laços de amor
Os abraços recebidos de surpresa encheram os corações e as vidas de Santos e Vanessa. A mesma experiência que quer ser vivenciada por Pereira, sua mulher e os demais candidatos a padrinho e madrinha.
Na construção de laços afetivos, garantirão o resgate do convívio familiar para crianças e adolescentes que não tiveram este suporte emocional de seus pais, parentes e responsáveis.
No pós-pandemia da covid-19, o apadrinhamento afetivo ganhou ainda mais importância. Depois das agruras do isolamento social causado pela doença, como é bom dedicar tempo, amor e afeto para quem mais precisa.
Afinal, gestos de carinho, como os abraços trocados entre Santos e Vanessa e seus dois afilhados, mudam vidas e realidades. Vida longa ao programa.
Próximas etapas
• Os candidatos a padrinho e madrinha serão chamados para entrevistas na Univap ainda neste mês
• Serão cinco encontros em grupo, sempre aos sábados
• Será formado o banco de padrinhos e madrinhas
• As crianças a adolescentes também serão preparados pelas equipes dos abrigos municipais
• No primeiro semestre de 2023, as equipes dos abrigos municipais realizarão dois encontros lúdicos, com brincadeiras e interação entre os padrinhos e madrinhas e as crianças e adolescentes
• Será realizado o pareamento (a definição de quem vai ficar com quem)
• Inicia-se a convivência entre padrinhos, madrinhas e afilhados, com visitas aos abrigos e atividades fora das instituições de acolhimento
* Mais informações sobre o programa apadrinhamento afetivo podem ser obtidas pelo e-mail padrinhos.afetivos@sjc.sp.gov.br ou pelo telefone 3909-2657
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