Celso Gomes
Secretaria de Saúde
A Prefeitura de São José dos Campos inicia nesta segunda (21) uma pesquisa entomológica para verificar a presença do mosquito transmissor da Leishmaniose Visceral. O trabalho será realizado no período da noite, no campus do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial). O local foi escolhido devido à grande circulação de pessoas, muitas oriundas de locais endêmicos para a doença.
A pesquisa ocorrerá por meio de “armadilhas”, que serão instaladas em 10 imóveis (escolhidos aleatoriamente), ao anoitecer dos dias 21, 22 e 23 de novembro. Os equipamentos serão retirados ao amanhecer nos dias 22, 23 e 24 de novembro. Lembrando que a atividade só ocorrerá se as condições climáticas estiverem ideais (temperatura e umidade).
Em São José dos Campos, eventualmente surgem animais com suspeita ou confirmação laboratorial da doença, situações sempre notificadas por clínicas veterinárias ao CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). Neste ano, houve a confirmação de um caso em cão, no Jardim das Indústrias. Outros seis animais positivos para a doença são acompanhados por médicos veterinários particulares e monitorados pela equipe do CCZ. Em humanos, o último caso registrado em São José ocorreu em 2015: um paciente que contraiu a doença no Estado do Piauí.
Na área urbana, o cão é a principal fonte de infecção. A doença canina tem precedido a ocorrência de casos humanos e a infecção em cães tem sido mais prevalente do que nas pessoas.
O papel da Prefeitura é realizar uma investigação dos casos, levantando o maior número de informações sobre a procedência do animal, seus deslocamentos para áreas endêmicas e locais em que vive no município. Nesses locais, a equipe do CCZ necessita realizar a pesquisa para verificar a presença do flebótomo (vetor) nas imediações.
Nas proximidades da casa onde o animal permaneceu, instalam-se armadilhas que precisam ser ligadas à noite, já que o flebótomo possui hábitos crepusculares e vive em ambientes ricos em matéria orgânica (vegetação e certa umidade), recolhem-se os insetos capturados e identificam-se as espécies.
Depois de 12h, a armadilha é recolhida e o material encaminhado para análise junto a um laboratório credenciado de referência. O resultado sai por volta de 30 dias.
Este trabalho faz parte do Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana do Estado de São Paulo.
A doença
A Leishmaniose Visceral é uma zoonose transmitida por um inseto, vulgarmente chamado de mosquito palha, birigui, cangalha e tecnicamente conhecido como flebotomíneos, sendo o gênero Lutzomia o responsável pela transmissão do protozoário Leishmania infantum.
Em várias regiões do Estado de São Paulo e em muitas partes do Brasil (norte e nordeste principalmente, além de Minas Gerais, no sudeste) a doença é considerada endêmica, afetando cães e seres humanos.
A doença tem caráter crônico, de difícil tratamento, podendo levar cão e homem à morte ou deixar graves sequelas. Por muito tempo a única saída para o cão era a eutanásia. No entanto, de uns tempos para cá isso tem sido bastante discutido com a chegada de uma vacina que atua de forma preventiva para animais e um medicamento que atenua os sintomas, mas não cura a doença em cães.
Em seres humanos, o diagnóstico também não é tão simples e o tratamento utiliza de medicamentos controlados pelos órgãos públicos. No Estado de São Paulo o maior número de casos concentra-se na região noroeste do Estado, sendo que a eutanásia de animais é utilizada por muitos municípios como forma de controle.
Por ser uma doença de notificação compulsória e com características clínicas de evolução grave, o diagnóstico deve ser feito de forma precisa e o mais precocemente possível.
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