Paula Pessoa
Secretaria de Educação e Cidadania
"Estudei em escola de roça até o 4º ano, depois fiz o supletivo. Na minha vida, me descobri como mulher, mãe, esposa e precisei ser também mãe trabalhadora. Esperei meus filhos crescerem para poder continuar os estudos, mas nunca desisti do sonho de me formar na escola. Hoje sou estudante e quero ser Assistente Social.”
O depoimento de Tanice dos Santos, 54 anos, moradora do Pinheirinho dos Palmares (região sudeste) reflete a transformação positiva possível pelos estudos.
No mês dedicado às mulheres, Tanice, Rosângela, Divacy e Geisa compartilham um pouco de suas histórias e os papeis de mulheres que, no cotidiano comum, fazem a diferença e buscam os estudos para melhorar de vida.
Recomeço
Em dezembro de 2020, Tanice concluiu o EJA II (do 6º ao 9º ano) na Emef Profª Maria Antonieta Ferreira Payar, escola do bairro onde mora, em que estudam uma de seus seis filhos, Isabele, 9 anos, e os netos Nicolly e Rael.
“Ano passado foi um ano atípico para o mundo todo, foi desafiador, pensei em desistir, mas tive ajuda dos professores, que sempre me atenderam e deram o melhor. Concluí uma etapa em dezembro, vou continuar agora no Ensino Médio e quero ser assistente social, para fazer o que mais gosto: ajudar o próximo”, afirma.
“Essa escola é como a menina dos olhos da nossa comunidade, tenho orgulho por ver minha filha e netos na escola Maria Antonieta e por ter estudado aqui. Me inspiro na minha mãe, ela criou os filhos sozinha e fez de tudo por nós. Também admiro uma assistente social que me ajudou e motivou a estudar”, diz.
“Acho legal ver minha mãe vindo para a escola aprender. Aqui podemos ter oportunidades, quero ser bailarina como a minha professora de balé, ela é um bom exemplo”, comenta Isabele.
Cuidado
Rosângela Araújo Santos, baiana de 41 anos, passa boa parte do tempo na escola do Pinheirinho. No local se sente segura e cercada de cuidados. Cuidados com os quais ela mesma contribui, trabalhando na equipe de limpeza da Unidade.
Durante o dia, Rô, como é carinhosamente conhecida, trabalha na escola onde o filho caçula, David, 9 anos, cursa o 5º ano do Ensino Fundamental. De noite, ela deixa o cansaço de lado e assume outra função, a de aluna.
“Em 2014 tentei voltar a estudar, mas precisei parar e depois foi difícil retomar. Estava complicado organizar minha vida para estudar, mas este ano vou conseguir. Estou animada, aqui tem um bom ambiente, gosto dos professores. A escola veio para o bairro e mudou tudo para melhor. O que mais gosto aqui são as pessoas, me sinto acolhida”, destaca.
“Minha mãe vai poder aprender coisas novas na escola, acho que isso é importante para ela ficar feliz. O que mais gosto nela é que ela cuida da gente”, afirma David.
Superação
A alagoana Divacy, 45 anos, mora em São José há 28 anos, é mãe de cinco filhos e tem uma rotina agitada. Desde o ano passado, ajuda o esposo em todas as tarefas cotidianas, após ele ter sido acometido por AVC’s.
Para ela, a escola é mais do que o prédio físico, bonito, grande e arejado, é como um ponto de apoio. Foi no local que recebeu ajuda e conseguiu superar a depressão.
“A escola para mim é como um presente. Por oito anos sofri com depressão e, desde que comecei a estudar aqui, em 2019, a depressão melhorou e passou. Os alunos, educadores, a diretora, são todos anjos para mim”, conta a dona de casa.
“Minha mãe é uma grande inspiração na minha vida, assim como amigas que tenho próximas a mim. Gostaria de dizer às mulheres que não conseguiram concluir o ensino fundamental que procurem a escola, o estudo vale muito e até faz bem para a saúde”, afirma.
Educação
A professora da EJA, Geisa Santana Teófilo, 32 anos, atua na educação há cerca de seis anos, inspirada pelo carinho, animação e dedicação de sua ex-professora e agora colega de trabalho, Nilva Silva. Para ela, a vontade de aprender dos alunos é uma inspiração diária.
“São muito esforçados, para muitos é um sonho apreender a ler e a escrever. Me sinto realizada podendo contribuir com esse sonho”, diz a educadora.
História
A escola municipal, aberta em maio de 2019, leva o nome de uma mulher educadora. Maria Antonieta Ferreira Payar atuou na rede de ensino municipal como docente de Língua Portuguesa entre 2006 e 2008. Em 2009 tornou-se Orientadora Pedagógica e concluiu a pós-graduação em Gestão Escolar.
Conhecida por ser apaixonada por Educação, a professora sempre buscou uma educação libertadora, que promovesse a igualdade e equidade dentro da escola. Maria Antonieta faleceu em 20 de julho de 2017 aos 68 anos.
A escola do Pinheirinho atende mais de 1.000 alunos, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, em um espaço amplo, moderno e acolhedor para toda a comunidade.
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