Cláudio Ribeiro
Secretaria de Saúde
Economizar R$ 5 milhões ao longo de 3 anos devido à diminuição de infecções hospitalares é um feito e tanto. Salvar a vida dos pacientes internados não tem preço.
Essa missão foi completada neste mês por uma equipe multidisciplinar do Hospital Municipal de São José dos Campos, mantido pela Prefeitura e gerenciado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).
O grupo participou de um projeto pioneiro, realizado em 120 hospitais do país desde o início de 2018, cuja meta era reduzir em 50% as infecções nas unidades de terapia intensiva (UTI). Para a execução das etapas, as instituições selecionadas tiveram a parceria do Hospital do Coração (Hcor), IHI (Institute for Healthcare Improvement) e do Governo Federal.
Visita multidisciplinar | Foto: Adenir Britto/PMSJC
Em São José, foram muitos desafios e aprendizados nesse período, com a realização de inúmeras reuniões, aquisição de insumos novos, mudanças de processos e fortalecimento da cultura de segurança do paciente.
“Usamos a ciência da melhoria, trazendo todos os envolvidos no processo para um modelo de gestão participativa, mostrando a todos a importância nas tomadas de decisão”, disse o diretor técnico, Carlos Alberto Maganha. No HM, o trabalho foi conduzido por um time de 10 pessoas, formado por 4 médicos, 2 enfermeiros, psicólogo, fisioterapeuta, dentista e um familiar de paciente.
Como resultado dos esforços em conjunto, o Hospital da Vila conseguiu a redução na UTI adulto dos casos de pneumonia adquirida por ventilação mecânica – em pacientes entubados – e infecção de corrente sanguínea – quando uma bactéria passa a circular no sangue – e do trato urinário – causada pelo uso da sonda vesical. Estima-se em 110 infecções evitadas no período e redução nos gastos em R$ 5.120.655,65, conforme cálculos do IHI.
Marco, Márcia Muxagata, Christiany e Márcia Ramires | Foto: Adenir Britto/PMSJC
Para a coordenadora da UTI, a médica Márcia Muxagata, a integração entre os profissionais envolvidos é fundamental no controle de infecção relacionada à assistência à saúde, que é um processo complexo e de difícil abordagem. “Com a equipe multidisciplinar foram introduzidas melhorias, como a visita multidisciplinar e a criação de rounds, em que conseguimos priorizar o atendimento e os cuidados ao paciente.”
Um dos pontos altos foram as visitas multidisciplinares. É o momento em que médicos, dentistas, fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos se reúnem à beira do leito e decidem as melhores soluções para o bem-estar e a recuperação dos pacientes internados em UTI.
Enfermagem
Na opinião do enfermeiro clínico Marco Paulo Neves, houve um ganho muito grande para a enfermagem, principalmente em relação aos técnicos, que passaram a ter a oportunidade de participar das visitas multidisciplinares e ser ouvidos nesses encontros “Por isso alcançamos uma expressiva redução das infecções e tivemos sucesso nesse projeto.”
Com experiência em odontologia hospitalar e formação específica em unidade de terapia intensiva, a cirurgiã-dentista Márcia Ramires explica que a odontologia contribui para a diminuição de infecções –muitas delas com origem em cavidade oral– dos pacientes que estão nos respiradores. “Conseguimos introduzir melhorias, dispositivos, compartilhar técnicas para contribuir para a desinfecção da boca e, assim, auxiliar na redução das pneumonias associadas aos ventiladores mecânicos.”
Após o sucesso alcançado, as ações terão continuidade. “Tudo que aprendemos durante esses três anos nós vamos seguir agora, colocando em prática para prevenir novas infecções”, afirma a médica Christiany Cavalcante, líder do projeto no Hospital Municipal.
Missão cumprida | Foto: Adenir Britto/PMSJC
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