Equipe da UTI neonatal dá proteção e amor a prematuros
Atualizado em 17/11/2020 - 18:44
A mãe Flávia com a filha Pietra
Flávia recebe Pietra: alta após 2 meses de muita atenção e carinho no Hospital Municipal - Foto: Divulgação

Cláudio Ribeiro
Secretaria de Saúde

Para quem chegou ao mundo antes da hora, a luta para sobreviver é árdua. Saídos do conforto uterino para um ambiente hostil, os bebês prematuros começam a nova jornada tendo de enfrentar inúmeras adversidades.

No Hospital Municipal de São José dos Campos, mantido pela Prefeitura e gerenciado pela SPDM (Associação Paulista pelo Desenvolvimento da Medicina), uma equipe multidisciplinar está preparada para proteger esses pequenos guerreiros. São as profissionais da UTI neonatal, composta por médicas, enfermeiras, técnicas e auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais e psicólogas. De janeiro a setembro, a unidade recebeu 348 bebês, dos quais 200 prematuros.

Desde o nascimento até a alta programada, elas cuidam 24 horas por dia dos bebezinhos, que passam por atendimento com especialistas, diversos tipos de exames e recebem o melhor alimento nessa fase: o leite materno. O acolhimento humanizado às famílias reduz a ansiedade e apreensão, principalmente nos casos em que a internação é mais prolongada. A média de permanência dos prematuros é de 4 semanas a 3 meses, podendo perdurar por mais tempo, se necessário.

Flávia Mendes, moradora do Putim (sudeste), sentiu-se como parte de uma família quando permaneceu por 71 dias na unidade para acompanhar a filhinha. Pietra nasceu de 27 semanas, pesando menos de 1 quilo, e precisou ser entubada por causa da dificuldade na respiração.

“Foram várias lutas, vários obstáculos. Ela teve também muitas vitórias. Com o tempo, ela começou a respirar sozinha. Eu estava aqui de domingo a domingo. Eu rezava para o leitinho dela aumentar. Eu fiquei, acho que 59 dias, retirando leitinho para ela, ordenhando, para passar pela sonda. Quanto mais ela se alimentava, mais eu ficava aqui. Só que ela teve vários episódios de apneia. Pietra se esquecia de respirar, às vezes ela não conseguia. Então ela teve que voltar de novo para o oxigênio. A Pietra foi evoluindo, cada dia mais foi crescendo, foi engordando. No começo parecia para mim uma eternidade. Quando fui ver, já passou, chegou o dia da alta dela. Os prematuros são tão guerreiros, tão fortes.”

A mãe conta que o momento emocionante foi quando pegou a filha pela primeira vez. “Depois dessa transfusão de sangue, a Pietra começou a engordar, engordou cada dia mais. Às vezes ela ganhava 60 gramas por dia, até que enfim ela ganhou 1,750. Foi o dia que eu mais esperei. Foi quando ela foi para o bercinho, quando ela completou dois meses de vida.”

Quando veio a esperada alta, Flávia se emocionou ao falar das profissionais que atenderam Pietra. “Ela teve muito carinho do pessoal da neonatal, que cuidou tanto dela. Eu me sentia tranquila porque sabia que tinha boas pessoas cuidando dela. Ela vai embora, mas lembrando de todas as pessoas que cuidaram dela nesses dois meses. Sou muito grata por tudo.”

Profissionais

“Vivenciar milagres e participar da vida dos prematuros é um privilégio para todos nós da UTI neonatal”, afirma a enfermeira clínica Helen Faria, que ressalta o trabalho de excelência dos colaboradores de todas as áreas do hospital. “Dedicam-se diariamente a um cuidado acolhedor entre recém-nascido e família com segurança e carinho. A incubadora faz o papel do calor e aconchego similar ao do útero, mas as mãos dos pais e dos cuidadores intensificam o amor.”

Coordenadora do serviço de neonatologia do hospital, a médica Patrícia Ruiz lembra que o nascimento de um bebê prematuro é um acontecimento cheio de incertezas. “Certamente é um dos momentos mais difíceis na vida de uma mulher, de uma mãe, de uma família. Nosso serviço está muito bem estruturado para receber esses bebês, com 14 leitos de UTI, 19 de cuidados intermediários convencionais, equipamentos, dispositivos, estrutura, protocolos, processos. Mas, acima de tudo, nós temos uma equipe multidisciplinar, com pessoas que dedicam suas melhores habilidades para cuidar desses bebês, focadas em dar o seu melhor pelos pacientes não só no aspecto técnico, mas no aspecto humano, com olhar acolhedor, apoiando os bebês, as mães e as famílias.”

Em alusão ao Dia Mundial da Prematuridade, comemorado em 17 de novembro, o Hospital Municipal vem realizando ações especiais neste mês, como decoração temática e distribuição de buttons à equipe. Durante as reuniões com as mães, são reforçadas as orientações sobre os cuidados com os bebês prematuros.


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