Priscila Veiga Vinhas
Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade
O Parque da Cidade Roberto Burle Marx, em Santana, recebeu na última semana a visita de dois biólogos do Instituto Biológico de São Paulo, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, para analisar as palmeiras imperiais, um importante patrimônio ambiental, histórico e paisagístico do Parque da Cidade.
Os especialistas em entomologia urbana, pesquisador Francisco José Zorzenon, e o técnico de apoio à pesquisa Adriano Marcelino de Alencar, do Instituto Biológico (IB-APTA), vieram ao município a convite da Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade. O objetivo é identificar possíveis pragas que estejam danificando os espécimes.
Recentemente foi realizado o manejo de 3 palmeiras mortas na Alameda das Palmeiras, conforme laudo de vistoria técnica, o que motivou um estudo mais aprofundado pelo município.
Zorzenon é uma das referências em identificação, biologia e controle de pragas em diversas espécies vegetais, especialmente palmeiras industriais e palmeiras ornamentais.
Os pesquisadores realizaram um voo com drone para captar imagens do topo das palmeiras onde se concentra o sistema vegetativo para observar aspecto fitossanitário ou de saúde dos vegetais.
“Hoje nós temos essa tecnologia do drone para vistoriar as palmeiras de forma mais próxima, pois são exemplares altos de 30, 35 metros. É possível observar se uma folha está seca, deformada, e observar indícios de doença ou ataque de praga”, explicou Adriano.
“As palmeiras não são como árvores comuns. Elas não têm tronco e sim estipe, não caem galhos. Quando morre a parte vegetativa da palmeira, que fica no ápice, não libera folhas novas e acaba morrendo”, destacou.
O pesquisador Zorzenon tem uma vasta experiência de quase 30 anos inspecionando espécies centenárias como as palmeiras imperiais. “Quanto mais velhas, mais sensíveis a pragas e doenças”, disse. “Estas do Parque têm em torno de 80 anos, mas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro temos palmeiras que foram plantadas na época do império. São espécies que podem chegar a 40, 50 metros de altura” destacou.
Zorzenon ressaltou que existe uma infinidade de pragas e doenças que podem afetar as palmeiras. Umas das mais comuns é a broca-do-olho-da-palmeira. Ele conta que está fornecendo uma substância, um feromônio que funciona como uma armadilha para esta praga.
“Se for constatada a presença da broca serão colocadas mais armadilhas para estes insetos, diminuindo a chance de atacarem as plantas. Existe um repelente que está sendo testado que é próprio para esta broca. Além disso ações de adubação com micro e macronutrientes, remoção de folhas secas são manutenções importantes”.
Segundo o pesquisador, o diagnóstico complementar de amostras de solo e de raiz que serão analisadas pelo Instituto, permitirá a identificação de algumas espécies de fungos fitopatogênicos que causam doenças nas plantas e definir medidas preventivas.
As primeiras impressões da análise visual foram positivas. “Pelo que a gente observou, as palmeiras estão muito bem, sem nada de excepcional. Muitas vezes a morte de uma árvore ou palmeira acontece pelo próprio processo natural de envelhecimento, quando a mesma cumpriu seu ciclo de vida. E isso varia de um indivíduo para o outro. Biologia não é uma ciência exata. As palmeiras não são peças arquitetônicas, mas sim seres vivos”, ponderou.
O pesquisador destacou a importância de um planejamento para a substituição das espécies comprometidas com exemplares de grande porte, aliada à conscientização da comunidade. “Vocês têm um parque muito lindo e muito bem cuidado. As pessoas veem tudo bonito e não imaginam quanto trabalho está por trás para manter um Parque desse porte. A educação para o verde é fundamental neste sentido. Cada um pode fazer a sua parte, evitando tirar cascas de uma planta, subir na árvore, tirar as folhas, não escrever no caule, ações que machucam as plantas. Todos somos responsáveis por cuidar deste patrimônio”, concluiu.
Palmeiras Imperiais
A palmeira-imperial (Roystonea oleracea (Palmae), também chamada palmeira-real, é originária das Antilhas, na América Central. Pertence ao gênero botânico Roystonea da família Arecaceae.
As enormes palmeiras do Parque da Cidade foram plantadas para indicar o caminho da escola aos filhos dos funcionários da Tecelagem Parahyba.
Elas são protegidas pelo Decreto Municipal nº Decreto 9915/00.
MAIS NOTÍCIAS
Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade
A Prefeitura de São José dos Campos utiliza cookies e tecnologias semelhantes para fornecer recursos essenciais na proteção de dados.
Ao continuar navegando nesta página, você concorda com nossas Políticas de uso de cookies, Políticas de privacidade e Termos de Uso.